O Bairro Menino Deus é considerado o mais antigo povoado de Porto Alegre. Isso porque a região foi o primeiro território reconhecido enquanto agrupamento semi-independente que mantinha relações comerciais e administrativas com o Centro. A origem territorial do bairro deu-se ao sul do Riachinho, hoje atual Arroio Dilúvio – terras que pertenciam a Sebastião Francisco Chaves, na Estância São José. 

De onde veio o nome Menino Deus

A denominação do bairro aconteceu em decorrência da devoção ao Menino Deus que foi introduzida pelos açorianos ao Menino Deus e foi, justamente nesse contexto, que  aconteceu a construção da capela do Menino Deus, no ano de 1853.

As festas natalinas que eram realizadas na capela atraíam até os moradores do centro da cidade e de outros bairros em formação. Foram construídas inúmeras casas ao redor da capela que, juntamente à abertura de novas ruas, impulsionaram o desenvolvimento da região. O acesso à Capela dava-se pela rua Menino Deus, mais tarde chamada de Treze de Maio e, finalmente, Avenida Getúlio Vargas. No entanto, em 1970, a igreja, originalmente construída no estilo gótico, foi demolida para dar lugar à atual igreja.

Mobilidade

Em função da expansão e da importância que tinha para a região central, o Menino Deus foi o primeiro bairro a contar com transporte coletivo, primeiro com a primitiva maxambomba (uma espécie de bonde) e depois com os vagões puxados a burro. Em 1908, chegaram os bondes elétricos, que operaram até 1970. O bairro aumentava, cada vez mais, o número de habitantes, e novos meios de transporte eram necessários.

Em 1954, foi fundada a Empresa Maracanã de Microônibus, criada por Arnoldo Schiphorst. Começou com um Chrysler De Soto, e, no final, tinha uma frota de 28 micro-ônibus. As primeiras “camionetas”, de apenas uma porta, receberam o nome de Linha 77. Esses pequenos ônibus serviam aos moradores do Menino Deus e do Morro de Santa Teresa. Em 1959, foi fundada a Empresa de Transportes Coletivos Trevo, que fazia a linha Azenha-Centro, passando pelo Menino Deus, pela Avenida Praia de Belas, identificada como Linha 78. Mais tarde, a Trevo absorveu a Maracanã. Em 1957, pela Avenida Praia de Belas circulavam os Papa-Filas, que vinham da Zona Sul em direção ao Centro. Em 1960, foi feita uma experiência com os Trolleybus, com apenas duas linhas: Gasômetro-Centro e Menino Deus-Centro. Em 1977, viriam os lotações, uma forma de transporte mais seletivo.

Sociedade

O Menino Deus é considerado um bairro residencial desde sua origem até os tempos atuais, sendo possível perceber ainda as antigas características de sociabilidade que, junto à abertura de vias, produziram o surgimento de centros comerciais e de lazer. 

Antigamente, o Menino Deus destacava-se pela presença de belas casas, hortas e áreas verdes ligadas a uma camada da população de maior poder aquisitivo. Em função de suas festas paroquiais e pela instalação, em 1888, do hipódromo Rio-Grandense, que funcionava entre as ruas Botafogo e Saldanha Marinho, era um dos bairros mais movimentados de Porto Alegre.

No ano de 1909, foram construídos pavilhões destinados a exposições agropecuárias – hoje o atual CETE – Centro Estadual de Treinamento Esportivo – o que acelerou ainda mais a movimentação do bairro. A construção do Estádio dos Eucaliptos, pertencente ao Sport Club Internacional, no ano de 1931, também foi um marco para o desenvolvimento da região – o local foi palco para duas partidas da Copa do Mundo de 1950.

Reestruturação

Nos anos de 1940, o bairro sofreu sua primeira grande modificação física e urbana, em decorrência da canalização do Arroio Dilúvio, que ocasionava graves enchentes. A realização do aterro (onde hoje se situa o Parque Marinha do Brasil), no final dos anos 50 e início dos anos 60, possibilitou o prolongamento da Av. Borges de Medeiros que, por sua vez, providenciou melhor acesso e consequente expansão do bairro. 

A canalização nos anos 70 do Arroio Cascata, que formava sérios alagamentos à região, foi outro fator de valorização do bairro. Uma nova configuração aconteceu com o “Projeto Renascença”, que abriu a Av. Erico Verissimo e criou o Centro Municipal de Cultura, na área onde antigamente situava-se a Vila conhecida como “Ilhota”. 

Tradição que dura até hoje

Grêmio Náutico Gaúcho: há mais de setenta anos situado no bairro, o Grêmio Náutico Gaúcho possui uma área de mais de 11 mil m2 consagrada aos esportes e ao lazer. 

Praça Memorial Eucaliptos: a Praça Memorial dos Eucaliptos fica no terreno do antigo Estádio dos Eucaliptos do Sport Club Internacional. A praça conta com goleiras e bancos que fazem alusão às arquibancadas do Estádio, um eucalipto em espaço destacado e seis totens que trazem a história da Copa de 1950, das seleções mundiais que por ali passaram e dos grenais realizados.

Referências: FRANCO, Sérgio da Costa Franco. Porto Alegre: guia histórico. Porto Alegre: Ed. Da Universidade/UFRGS, 1992. 

SOSTER, Ana Regina de Moraes. Porto Alegre: a cidade se reconfigura com as 

transformações dos bairros. Dissertação de Mestrado. PPG de História/PUCRS, Porto Alegre, 2001.

Foto do site http://antigaportoalegre.no.comunidades.net/fotos-1901-1920